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México vota neste domingo e deve eleger 1ª mulher como presidente

Sheinbaum, 61 anos, está pronta para fazer história como a primeira mulher presidente do México e a primeira chefe de estado judia.

01/06/2024 às 23h25 Atualizada em 01/06/2024 às 23h46
Por: MTb:0003449/CE Fonte: Estadão
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México vota neste domingo e deve eleger 1ª mulher como presidente

Claudia Sheinbaum estava furiosa. A candidata à presidência tinha uma vantagem confortável nas pesquisas quando as primárias de seu partido começaram no verão passado. Mas em uma tarde, ao entrar em um hotel para uma reunião, ela foi confrontada por dezenas de partidários de seu principal rival, que gritavam que a disputa era fraudada.

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A normalmente estoica Sheinbaum entrou no hotel e repreendeu Alfonso Durazo, o funcionário que estava coordenando as primárias do partido Morena.

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“Onde quer que eu chegue, quero ser respeitada”, declarou ela, dando um soco na mesa. “Está entendendo?”

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A cena, capturada em vídeo, tornou-se viral. “Nunca tínhamos visto Claudia Sheinbaum desse jeito, com esse caráter forte, essa raiva”, observou o jornalista Joaquin López-Dóriga.

Sheinbaum, 61 anos, está pronta para fazer história como a primeira mulher presidente do México e a primeira chefe de estado judia. As pesquisas realizadas uma semana antes da eleição no México mostram que ela está com uma ampla vantagem sobre a segunda colocada, a empresária conservadora Xóchitl Gálvez. Ela tem um currículo impressionante, com um PhD em engenharia ambiental e um mandato como prefeita da Cidade do México.

Ainda assim, depois de quase um quarto de século sob os olhos do público, ela continua sendo um enigma, conhecida principalmente como a protegida discreta do Presidente Andrés Manuel López Obrador, o líder carismático conhecido como AMLO.

A questão é se uma presidente Sheinbaum poderia sair da sombra dele e governar um país assolado pela violência, cujas instituições políticas estão em constante mudança.

O partido Movimento Regeneração Nacional (Morena), fundado por Obrador em 2014, tornou-se o “gorila de 800 libras” da política mexicana, controlando o Congresso e tendo 23 dos 32 governadores. Embora Sheinbaum seja a candidata presidencial, os fiéis do partido mantêm uma intensa lealdade a AMLO, parecida com a que a base de Donald Trump tem por ele.

“Está claro para mim que ela quer ser sua própria voz. Mas estamos em uma situação sem precedentes”, disse o analista político Carlos Heredia, que assessorou Obrador quando ele era prefeito da Cidade do México. “Em vez de o poder estar centralizado no Estado mexicano, ele está em uma pessoa.”

Sheinbaum: a primeira presidente judia do México?

Sheinbaum está tão ligada a Obrador que às vezes adota seu estilo de falar lento e cheio de pausas. No entanto, seu perfil é nitidamente diferente. Ele frequentemente cita suas crenças cristãs. Ela não é religiosa e raramente fala sobre sua herança judaica. (Seus avós migraram da Lituânia e da Bulgária para escapar da discriminação e da perseguição nazista).

Obrador não fala inglês e não gosta de viajar para o exterior. Sheinbaum fez pesquisa de pós-doutorado na Universidade da Califórnia em Berkeley; sua irmã e filha moram nos Estados Unidos.

O presidente, criado no sul pobre do México, tem o tipo de charme popular e de cidade pequena que catapultou Bill Clinton para a presidência. Sheinbaum cresceu entre a elite intelectual da capital, com aulas diárias de balé e aulas particulares de francês.

O que une os dois é a paixão pelo ativismo político. Os pais de Sheinbaum eram esquerdistas convictos, com um exemplar de “O Capital”, de Karl Marx, escondido no armário. Sua mãe, professora de biologia, perdeu o emprego por participar das manifestações lideradas por estudantes em 1968 contra o sistema de partido único que governou o México por décadas.

“Em minha casa, falávamos de política no café da manhã, no almoço e no jantar”, disse Sheinbaum ao jornalista Arturo Cano para sua biografia “Claudia Sheinbaum: presidenta”.

Como estudante de graduação na Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM), a principal universidade do país, Sheinbaum mergulhou na política estudantil. Rosaura Ruiz, acadêmica e amiga da família, relembrou a paixão de Sheinbaum por ajudar os pobres. Em um determinado momento, disse Ruiz, Sheinbaum passou semanas em uma comunidade indígena no estado central de Michoacán, projetando fogões a lenha mais eficientes para mulheres pobres.

“Ela decidiu que, estudando ciências, poderia contribuir mais para o México”, disse Ruiz.

Talvez o momento mais transformador para Sheinbaum tenha sido uma greve estudantil que ela ajudou a organizar em 1987 para combater um plano de aumento das taxas universitárias. Ela passou a fazer parte de uma nova geração de políticos de esquerda que emergiu da universidade quando o sistema de partido único estava desmoronando. Muitos se tornaram proeminentes no partido Democrático Revolucionário e ajudaram Obrador a se tornar prefeito da Cidade do México em 2000.

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